Entrevista com Miguel Abboud

Durante o V Encontro Anual do Comitê de Glóbulos Vermelhos e do Ferro da ABHH e V Congresso Mercosul de Anemia, que aconteceu nos dias 6 e 7 de julho, a equipe da News ABHH conversou com o convidado internacional, Miguel Abboud, que apresentou a conferência “Prevenção e Tratamento das Complicações Neurológicas na Doença Falciforme”.

Abboud é mineiro, mas aos dez anos de idade foi com a família morar no Líbano, onde estudou pediatria na Universidade Americana de Beirute. Após a graduação, mudou-se para os Estados Unidos para especializar-se em hematologia pediátrica na Cornell University, em Nova Iorque.

Após cinco anos, tornou-se professor assistente na University Medical of South Carolina, onde pode realizar estudos clínicos e tratar diversos pacientes com Anemia Falciforme. Depois de 18 anos de trabalho na instituição, voltou ao Líbano em 2002 para dirigir o Centro de Câncer Infantil da Universidade Americana de Beirute. Hoje, Abboud é chefe do departamento de pediatria da mesma universidade em que se formou, no Líbano.

Confira agora a entrevista com o especialista e conheça alguns dos avanços no tratamento da Anemia Falciforme no mundo.

Miguel Abboud 2.jpgNews ABHH – Em sua opinião, qual é o maior desafio de um hematologista ao tratar um paciente com Falciforme?

Abboud – Ainda existem alguns obstáculos que a gente tem de superar. Estamos lidando com uma doença crônica, que precisa de atenção constante e mesmo que a gente fale “tome uma hidroxiureia por dia”, quase ninguém consegue.
A anemia falciforme pode ter repercussões muito sérias, então precisa sempre de um time multidisciplinar atuante coordenado por um centro especializado na doença. Precisamos de hematologistas e também de pneumologistas, nefrologistas, cardiologistas e outros profissionais.

News ABHH  Fale um pouco da evolução terapêutica nos últimos anos?

Abboud – Na verdade, em pouco tempo (nos últimos 20 a 25 anos), fomos de quase nada a oferecer a esses pacientes, que não tinham nenhum tratamento, exceto morfina até o que temos hoje, com a hidroxiureia, a transfusão, o transplante de medula óssea, além de maneiras de definir pessoas que correm alto risco de enfarte cerebral. As modalidades de tratamento ou de definição da severidade da doença melhoraram muito e é primordial aplicar isso para uma população que em geral é desfavorecida financeiramente e medicamente e fica ainda mais desfavorecida em razão da doença.
Um dos maiores desafios que nós temos em termos de tratamento, por exemplo, é a crise de dor. Muitas pessoas que não compreendem a doença podem pensar que o paciente é um viciado à medicação, quando na verdade, as populações falcêmicas no mundo inteiro procuram a morfina porque tem dor, quando a dor melhora, eles não procuram mais.
Nós temos que superar o estigma que se formou a respeito da doença, trazendo todos esses avanços técnicos para servir o paciente desfavorecido.

News ABHH – Qual a importância de trazer a anemia falciforme à discussão nesta quinta edição do encontro?

Abboud – Abordar esse tema em uma reunião como essa, onde há muitos especialistas, é importante para difundir as novas informações e para reforçá-las entre os hematologistas. Com isso podemos discutir juntos os avanços que são feitos no tratamento da anemia falciforme cheguem a cada médico e cada enfermeira no seu lugar de trabalho.

Embora no Brasil haja um programa hoje muito avançado, a Anemia Falciforme ainda é uma doença em fase de reconhecimento em diversos países do mundo. A maioria dos pacientes se encontra em países que têm recursos limitados, como o Líbano e a África.
Por meio deste encontro podemos debater os desafios diagnósticos e terapêuticos, os avanços técnicos, o papel da triagem neonatal e o acesso dos pacientes aos tratamentos.

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Fonte: http://abhh.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=484%3Anews-abhh-entrevista-miguel-abboud&catid=1%3Alatest-news&Itemid=81

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