Ministério da Saúde divulga nota técnica sobre Hidroxiureia

MINISTÉRIO DA SAÚDE

SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE

DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO ESPECIALIZADA

COORDENAÇÂO GERAL DE SANGUE E HEMODERIVADOS
Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme
SAF/SUL, Trecho 02, Edifício PREMIUM, Torre 02 ala B, 2º andar, sala 202.
BRASILIA-DISTRITO Federal
CEP 70070-600 Tels 61- 3315-6149/6152

                                                  NOTA TÉCNICA

A incidência global das hemoglobinopatias é de cerca de 4,5% na população mundial e devido sua alta prevalência passaram a representar um grave problema de saúde pública em muitos países dentre eles o Brasil. Nestes pacientes, a redução na taxa de hemoglobina total associada à acentuada reticulocitose caracteriza a gravidade da anemia hemolítica.

Inúmeros estudos têm reportado a eficácia da hidroxiureia (HU) em pessoas com doença falciforme (DF) por conduzir à melhora clínica e hematológica pela redução da incidência de episódios vaso-oclusivos. A concentração da hemoglobina fetal (HbF) apresenta relação indireta com a redução das crises dolorosas durante o tratamento.

A hidroxiureia tem efeitos múltiplos sobre a linhagem eritrocitária, isto é, promove elevação no nível de Hb F em cerca de 60% dos pacientes tratados, eleva a taxa de hemoglobina, do volume corpuscular médio (VCM) e reduz o número de reticulócitos. Outra resposta favorável deste agente terapêutico tem sido a diminuição da expressão de moléculas de adesão, tais como fosfatidilserina da superfície eritrocitária e plaquetária, da anexina V, bem como promove a diminuição das proteínas receptoras localizadas nas células endoteliais, diminuindo a adesão vascular e contribuindo desse modo para a redução das crises vaso-oclusivo.

O fármaco é indicado a partir de três anos de vida, com três ou mais episódios de crises vaso-oclusivo com necessidade de atendimento médico; uma crise torácica aguda recidivante; um ou mais acidentes vasculares encefálicos; priapismo recorrente e anemia grave e persistente, nos últimos doze meses. (indicações detalhadas na Portaria Ministerial de nº 55 de 29 /1/2010).

As pessoas em uso da HU têm aproximadamente metade das crises do que antes do uso da droga e têm ainda diminuída sua necessidade de transfusões de sangue. Ao terem diminuída a freqüência das crises, necessitam de menos internações, melhorando a qualidade de vida e diminuindo o custo global do tratamento.

As primeiras comprovações científicas quanto à eficácia da HU na diminuição da mortalidade nestas pessoas foram publicadas em 2002, nos Estados Unidos, no centro de estudo da HU (MSH) e demonstraram, após nove anos de Follow-up, que a taxa de mortalidade entre os que usam HU, foi reduzida em 40%, comparando-se aos que não estavam em uso de HU. Os poucos que faleceram se encontravam em um subgrupo de idade mais avançada, já com instalação de degeneração crônica em órgão nobre. Esta informação tem tornado mais precoce o início do tratamento em jovens visando prevenção das lesões irreversíveis em órgãos como rins, coração, fígado e pulmão.

A administração de hidroxiureia em crianças com DF tem sido extremamente útil, reduzindo em 80% a freqüência de transfusão sanguínea na população pediátrica, além de prevenir a lesão de órgãos. Os estudos de coorte envolvendo crianças e adolescentes têm apontado que as eficácias hematológicas, as respostas da Hb F e as toxicidades a este agente quimioterápico são doses dependentes. Esta avaliação suscita maior atenção ao escalonamento da dose de HU à dose máxima tolerada (DMT) para maximizar o efeito terapêutico. A eficácia hematológica de HU observada inclui aumento significativo de nível de hemoglobina, de volume corpuscular médio (VCM) e de Hb F, além da diminuição de reticulócitos bem como de bilirrubina sérica, associada a uma mielotoxicidade aceitável.

A dose de HU varia de10 a30 mg /kg/dia, e esta deve ser feita em um tomada diária. Atualmente só dispomos da apresentação em cápsulas de 500 mg e para fazermos uso em crianças utilizamos o método de diluição do conteúdo da cápsula em água com conseqüente administração da dose proporcional. Para isto temos os seguintes inconvenientes: manipulação do fármaco em domicílio, desperdício do restante da dose do remédio além de possibilitar erros na dose administrada devido à dificuldade na compreensão da metodologia de diluição. Por isto se faz necessário a produção de comprimidos de 100mg. É importante citar que consultamos anteriormente os produtores de HU e fomos informados da impossibilidade de produção líquida pela instabilidade térmica da substância e que isto acarretaria aumento significativo do custo do produto.  Outra questão séria, é que nas bulas dos laboratórios que produzem a hidroxiureia no Brasil não constam a indicação para uso em doença falciforme. Na Europa já existem disponíveis para compra comprimidos de 100mg com inclusão da DF na bula.

Estimamos no momento em 10 000 pessoas só com a DF, distribuídos em 70% de adulto e 30% de crianças que tenham indicação do uso de HU. Com a ampliação para uso a partir dos 03 anos a faixa o uso pediátrico infantil deverá se ampliar e com a longevidade da DF em alta o mesmo acontecerá com o número de adultos. O uso de HU em DF é continuo e por tempo prolongado. Agregando-se a estes números as pessoas com uso de para outras patologias fica evidente a necessidade de produção maior do que a atual. Nos Estados Unidos da América já se tem notícias de escassez do produto.

Pelo exposto solicitamos ao setor responsável orientação para os encaminhamentos devidos:

 

GUILHERME GENOVEZ

Coordenador Geral de Sangue e Hemoderivados

CGSH/DAE/SAS/MS

JOICE ARAGÃO DE JESUS

 Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme

CGSH/DAE/SAS/MS

8 Responses to Ministério da Saúde divulga nota técnica sobre Hidroxiureia

  1. Adriana Steimetz disse:

    Sou presidente e fundadora do SOS Mulher Social, e trabalho levando informações sobre a saude da pop. negra e a anemiafalciforme. gostaria se receber todo tipo de noticias sobre a doença.

  2. adriane nascimento disse:

    Adriane nascimento / amapá
    Sou mãe de menor com anemia falciforme e divulgadora sobre a doença pois o desconhecimento da doença é muito grande minha filha tem doze anos e sobre varias situações preconceituosas por conta dos sintomas e por conta disso sempre converso sobre a doença na escola e gostaria de receber todas as informaçoes e novidades de tratamento.

  3. Rubeniz Pereira Silva Solorza disse:

    Gostaria de receber todo tipo de informações sobre a doença e locais que disponibilizam atendimento social ao paciente e familiares, região de Guarulhos e gde SP. Obrigada!

  4. celio disse:

    tenho policitemia vera e mim preocupo muito com os anos de vida que disem ainda ter,estou mim preocupando a toa ou é sério

  5. Adilson cerqueira disse:minha filha tambem sofre com anemia falçiforme mais entrego a cura dela A o Deus todo poderoso.

  6. Regina disse:

    Minha filha tem anemia falciforme mas o médico dela ainda n passou esta medicação,eu quero saber se posso comprar pois ela já tem 5 anos

  7. minha maê tem 74 anos esta em uso de hidroxiurèia 500mg.o medico desse que e canser

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